4 de jun. de 2017

Trilhas

Sem achar explicação
Em um caminho tortuoso.
Como lágrimas de óleo em meio ao mar,
 a impossibilidade de se misturar.

É esse fazer sem pensar.
Um pedaço de ódio que conspira,
O brilho daquele olhar,
Jurando ser verdade o que hoje é mentira.

Paolo Lacava

Caixa

Sobre manias e desejos
Sobre o medo e a inveja,

Penso no mundo que me enlouqueço,
Sobre um olhar que não se espera.

Duas mil chaves para abrir,
Coisas que escondemos de nós mesmos,
E pelo medo de descobrir,
Se procura saber menos.

Paolo Lacava

Troca de idéia

Deixarás introspectivo,
De maneira diferente,
Do alívio eterno,
Que da gente só deixa mais gente.

E dessa gente que fica,
o que tem nessa escita?
Mais um rabisco no caderno?
Ou mais uma palavra amiga?

As vezes penso que penso,
E nesse mundo imenso,
Alucinado, entorpecido...
Desmedido, sem limites.

E o sentido que já não mais vejo nessa partida,
Sentindo algum já nenhum faz.
E só na lembrança me traz,
A sede por não desistir.

Humildade para reconhecer os erros,
Honestidade para ser sincero,
E quando forem os fios de cabelo,
Mais da vida eu espero.


Paolo Lacava
JAN/17

Quase vinte anos...

Era o tempo que não era tempo.
Era dor que,
Nesse meio tempo,
Virou tormento.

Era alegria que não era alegria.
Era felicidade que,
De tão alto não se via.
Entre as nuvens só se via carnaval.
Alegria,
Da mais baixa a mais alta alegoria.


Paolo Lacava
Caxias do Sul / NOV16

Perseguição


Ontem eu fiz,
Hoje eu faço,
E cada palavra amarga,
No pensamento transformo em abraços.

Quanta repercussão,
quanta falta de amor,
Da vida dos outros não cuido,
Não transforme a alegria em dissabor...

Um dos sete me persegue,
Mas esse pecado não é marionete...
Esse pecado é a frustração da vida alheia que respinga na gente,
É gente que não é como a gente...

E agora?
Cadê o deboche em forma de reação?
E agora?
Através das palavras,
A mais tenra consolação...


Paolo Lacava

Felicidade

"Felicidade,
Espaço de tempo.
Não se esconde,
Não se desdenha,
O corpo responde
Em horas que valem a pena."

Paolo Lacava

Estados

''Estado bruto de felicidade,
Estatuto da saudade...
O som do baixo que delira,
O som da voz que não existe,
O gosto que da minha boca retira,
Era mel, não era alpiste...

Quantas carapuças nessas palavras eu ei de encontrar?
Quantos caramujos querendo a monarquia nesse imenso mar?
É muita hipocrisia,
É muito blá blá blá.
É muito desejo vazio,
É muita falta de amar.

Constrangimento alheio,
Falta do que falar,
Um limbo recheado de receios,
Um pedaço de terra para arar.

E nesse mundo em que tudo repercute,
Não me assusta acontecer.
Em cada brincadeira ingrata,
Nada mais me parece ser.''

Paolo Lacava